Tutinha deixa presidência da Jovem Pan em meio à pressão e atos terroristas

  • 9 de janeiro de 2023

O empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, conhecido como Tutinha, renunciou ao cargo de presidente do Grupo Jovem Pan nesta segunda-feira (9). A decisão acontece depois de a empresa receber críticas sobre a cobertura dos atos terroristas que aconteceram em Brasília no domingo (8).

A informação foi antecipada pelo site Tudo Rádio com fontes da companhia. Tutinha decidiu deixar a presidência depois de a JP News ser acusada nas redes sociais de fomentar o golpismo bolsonarista, que atacou os prédios do Três Poderes, no Distrito Federal.

Durante a cobertura, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Ministério da Justiça receberam diversas denúncias contra o veículo e seus comentaristas. Para evitar um desgaste ainda maior da imagem da JP, Tutinha tomou a decisão de sair do comando da empresa.

A atitude do empresário, que desempenhava esta função desde 2013, está sendo vista como uma tentativa de blindar o grupo e a família Carvalho, que está no olho do furacão por causa do ao apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Seus profissionais são acusados de propagar fake news e apoiar desobediências a decisões do Supremo.

Fontes afirmam que o clima na empresa é de tensão e caos. De acordo com as primeiras informações sobre o caso, Tutinha –que continuará sendo o maior acionista da empresa –será substituído por Roberto Araujo, CEO do grupo desde 2014. Desde que a família Carvalho comprou a Jovem Pan esta será a primeira vez que a presidência será ocupada por um membro de fora do clã.

Procurada, a Jovem Pan confirmou a mudança no alto escalão da empresa em nota enviada: “Roberto Alves de Araújo é o novo presidente do Grupo Jovem Pan. O executivo assume o cargo que foi ocupado por Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, até o final de 2022. Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, assim como os demais acionistas da empresa, continuam no Conselho de Administração com a missão de preservar os princípios e valores que norteiam o Grupo Jovem Pan há oitenta anos”.
Problemas são antigos
No início de dezembro, a emissora afastou Tiago Pavinatto, que apresentava o Linha de Frente. Ele debochou com caretas e mascou um chiclete ao vivo durante o discurso do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), na diplomação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente eleito.

Pavinatto fez caretas para a câmera, como se discordasse das falas de Moraes, que discursou sobre a importância da democracia para o Brasil. O ministro, que presidiu o TSE no último biênio, também fez duras críticas às fakes news e às manifestações golpistas.

Além disso, o jornalista abriu a boca para mostrar que mascava um chiclete, em um tom de não se importar com o que o magistrado falava. Uma investigação realizada pela Jovem Pan, comprovou que ele cometeu o ato de propósito para rir da cara de Moraes.

Durante o período eleitoral, o canal chegou a ser obrigado a pedir desculpas para Lula e dizer ao vivo que ele não era ex-presidiário. Comentaristas radicais, como Augusto Nunes e Ana Paula Henkel, foram demitidos para evitar novos problemas jurídicos. A empresa ainda aproveitou as novas determinações para realizar uma reformulação em seus quadros.

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