LFU retira proposta para que Corinthians venda direitos de transmissão com o bloco

  • 13 de março de 2024

O Corinthians não conta mais com a proposta para aderir à Liga Forte União (LFU). Na segunda-feira, a diretoria alvinegra recebeu e-mail de representantes do bloco, no qual eles formalizaram a retirada da oferta que vinha sendo negociada há cerca de duas semanas.

A justificativa apresentada foi o esgotamento do tempo para a tomada da decisão. A LFU tem pela frente a necessidade de vender seus direitos de transmissão, relativos ao Campeonato Brasileiro do ciclo entre 2025 e 2029, para empresas de mídia e anunciantes.

Já o clube paulista passa a ter duas possibilidades, em vez de três. Uma delas é permanecer na Libra, o que significaria assinar contrato com a Globo, como já fizeram os outros integrantes do bloco. A outra é acertar com a Brax, agência de marketing esportivo que entrou na disputa.

A oferta apresentada pela LFU incluía o empréstimo de R$ 100 milhões, que seria feito pela XP Investimentos, e um mecanismo apelidado de “colchão”, que garantiria determinados valores em receita de televisão, a depender da posição do time na tabela.

Detalhes da oferta da Brax

A Brax já detém um contrato com o Corinthians, de R$ 240 milhões por cinco temporadas, referente às placas publicitárias que rodeiam o campo na Neo Química Arena. Agora, a agência de marketing esportivo fez uma proposta para adquirir também os direitos de transmissão.

A empresa promete uma quantia mínima de R$ 240 milhões pelos 19 jogos alvinegros no Brasileirão, na condição de mandante. O valor pode subir a até R$ 270 milhões, a depender da posição na tabela.

A proposta inclui todos os direitos de transmissão: televisões aberta e fechada, pay-per-view, direitos internacionais e para betting (apostas). O acordo ainda daria à Brax o direito de explorar comercialmente eventos, como campanhas de marketing, concursos e promoções.

Em comparação à proposta da Libra, que fechou com a Globo a venda de seus direitos de maneira conjunta, o período dos contratos é diferente. Enquanto a emissora comprou o pacote por cinco anos, entre 2025 e 2029, a Brax pretende adquirir seis anos, entre 2025 e 2030.

Para o clube, em crise financeira, o pagamento adiantado de R$ 80 milhões, logo após a assinatura do contrato, é um fator preponderante.

Adicionalmente, a Brax também está disposta a alterar o contrato que ela já possui com o Corinthians, caso a diretoria alvinegra tope vender os direitos de transmissão. O acordo pelas placas publicitárias ao redor do campo seria elevado dos atuais R$ 240 milhões para R$ 330 milhões. Este valor seria repassado ao longo dos cinco anos entre 2025 e 2029.

O presidente corintiano, Augusto Melo, quer igualar o valor recebido pelo Flamengo. Com a Brax, o Corinthians não se submeteria ao sistema de distribuição variável — conhecido como 40-30-30. Em vez disto, o clube receberia uma cota fixa potencialmente maior do que o rival carioca, além de elevar o contrato das placas para o mesmo valor rubro-negro.

O que é Brax

Originada da fusão de três agências de marketing esportivo, a Brax hoje é a maior intermediária comercial do futebol brasileiro, em dinheiro movimentado. A empresa detém propriedades de campeonatos estaduais, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.

A agência compra os direitos comerciais de clubes, federações e da CBF, com a garantia de pagamento de determinado valor. Depois, vai a mercado para captar uma quantia maior com emissoras e patrocinadores. A diferença entre um e outro é o lucro que ela afere.

No caso da negociação com o Corinthians, caso adquira os 19 jogos de mandante do time no Brasileirão, a Brax terá como etapa seguinte negociar esses direitos com anunciantes e empresas de mídia.

Ao presidente alvinegro, os sócios da empresa disseram que pretendem vender os direitos para a Globo, a fim de garantir exposição para o clube. Não há, contudo, nenhum acordo prévio alinhado entre Globo e Brax.

O momento da agência não é confortável. A empresa acaba de rescindir o contrato relacionado aos direitos de transmissão da Série B, que foi assinado em março do ano passado e teria quatro anos de duração, por não ter capacidade de honrar os pagamentos prometidos aos clubes.

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