Moraes estende inquérito das milícias digitais pela 11ª vez

  • 11 de junho de 2024

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou o inquérito das milícias digitais, que apura a existência de milícias digitais antidemocráticas e seu financiamento, pela décima primeira vez.

Instaurada em julho de 2021, a investigação terá mais 180 dias para ser concluída, registrou O Globo. A última prorrogação havia sido realizada em março.

Na quinta-feira, 6, a Polícia Federal enviou um ofício ao magistrado pedindo mais tempo para concluir o inquérito.

Ao conceder a prorrogação do prazo, Moraes afirmou que a dilação é necessária para o “prosseguimento das investigações, com a realização das diligências ainda pendentes”, mesma justificativa dada em março.

O inquérito das milícias digitais inclui as principais investigações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como suposta tentativa de golpe de Estado, venda de joias recebidas pela Presidência e fraude em cartão de vacina.

Até Elon Musk é investigado do inquérito das milícias digitais

Bolsonaro não é o único investigado no inquérito que se prorroga desde 2021. Em abril, o bilionário sul-africano Elon Musk, dono da rede social X, também entrou para a lista de investigados de Moraes após ameaçar reativar perfis apagados por decisão judicial.

Em resposta a Musk, Moraes determinou a instauração de um inquérito para apurar a conduta do dono do X “em relação aos crimes de obstrução à Justiça, inclusive em organização criminosa” e “incitação ao crime”.

O ministro do STF também incluiu Musk como investigado no inquérito das milícias digitais, por suposta “dolosa instrumentalização criminosa da provedora de rede social ‘X’”.

Como mostrou Crusoé na reportagem “A questão do X“, a transformação de Elon Musk em um investigado da polícia brasileira – situação quase cômica, porque não deverá acarretar nenhum contratempo maior ao bilionário e porque Musk notoriamente vive em busca de confusões desse tipo – mostra como os célebres inquéritos do STF (ou do Xandão) ganharam vida própria.

Depois de tanto tempo da abertura do primeiro inquérito, é preciso que sejam concluídos e que os casos sejam levados a julgamento, absolvendo aqueles que tiverem de ser absolvidos e condenando aqueles cuja culpa puder ser desenhada com clareza.

Ao permanecerem abertos indefinidamente, eles deixam de ser produto de um momento histórico confuso e começam a se transformar em causa de um estado de exceção permanente no Brasil.

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